Quinta-feira, Janeiro 26, 2006

Até Breve.

O projecto d’A Foz atingiu os seus objectivos: possibilitou conhecer o universo da blogosfera com as suas potencialidades e respectivos limites.

Encerramos esta etapa, agradecendo a atenção de todos os que nos olharam, leram ou comentaram.

Inevitavelmente, novas etapas acontecerão.

Domingo, Dezembro 04, 2005

XCIV

Si muero sobrevíveme con tanta fuerza pura
que despiertes la furia del pálido y del frío,
de sur a sur levanta tus ojos indelebles,
de sol a sol que suene tu boca de guitarra.

No quiero que vacilen tu risa ni tus pasos,
no quiero que se muera mi herencia de alegría,
no llames a mi pecho, estoy ausente.
Vive en mi ausencia como en una casa.

Es una casa tan grande la ausencia
que pasarás en ella a través de los muros
y colgarás los cuadros en el aire.

Es una casa tan transparente la ausencia
que yo sin vida te veré vivir
y si sufres, mi amor, me moriré otra vez.

Cien Sonetos de Amor, Pablo Neruda.

Quarta-feira, Novembro 30, 2005


"Rapto de Europa", Tiziano.

Terça-feira, Novembro 29, 2005

Educação | 1

Começo esta rúbrica de uma forma inesperada para mim próprio. Muito tenho ouvido e lido sobre educação, mas nunca aqui escrevi sobre essa temática.
Deixo-vos um parágrafo do excelente livro de Philip Roth, A Mancha Humana. Quem fala é Ernestine Silk, uma professora americana, irmã do inefável Coleman Silk - reitor negro "e judeu" da Universidade de Athena:
"No tempo dos meus pais, e até em boa parte no seu e no meu, costumava ser a pessoa que ficava aquém. Agora é a disciplina. É muito difícil ler os clássicos; logo, a culpa é dos clássicos. Hoje o estudante faz valer a sua incapacidade como um privilégio. Eu não consigo aprender isto, portanto alguma coisa está errada nisto."

Domingo, Novembro 27, 2005


The Awakening Conscience, William Holman Hunt.

Sábado, Novembro 26, 2005

do Perú...

Óyeme tierra, así, escribiendo así,
En la espesura de pámpanos dormido:
Mi pecho frío junto a mis intestinos
Se ha cuajado. Mis dedos alhajados
Buscan el Árbol de la Noche, clavan
Sus uñas de imprenta en los racimos
De la Vida y de la Muerte. Óyeme tierra
De grandes frutos áureos y serpientes,
Luciérnaga entre muros de papiro,
Negro universo del quinqué y el sexo,
Justicia del gusano, mal Paraíso.
Mírame tierra, así escribiendo, así
Desnudo, Adán poeta, quieto y triste,
En esqueleto, sierpe y uva convertido.

Jorge Eduardo Eielson, genitales bajo el vino (1944)


Abbas Kiarostami, My Trees

Presidenciais | 4

A propósito da questão dos crucifixos, Manuel Alegre perdeu uma boa ocasião para se diferenciar da retórica mesquinha e fútil que tem marcado a campanha eleitoral.

Ao ser questionado se concordava com a medida da ministra, de se removerem os crucifixos das escolas portuguesas, Alegre escusou-se a dizer, claramente, que sim – que aposto ser a sua opinão. Tregiversou entre a sua habituação em ver os crucifixos nas escolas e a lei e constituição. Alegre não quis desagradar aos Portugueses católicos. Mais um sinal de uniformidade desta campanha preseidencial.

Hoje, na Grande Reportagem, José Manuel Barata-Feyo fala brilhantemente destes Sinais do Tempo, deixo-vos aqui a frase final da sua crónica: “...No dia em que os politicos não precisarem de jogar às escondidas semânticas para conquistar votos, será sinal de que os portugueses se reconciliaram com a política.”.

Sexta-feira, Novembro 25, 2005

Reserva | 31


Angel and Stoplight (New York), André Kertész.

Quinta-feira, Novembro 24, 2005

Rilke

The Unicorn

The saintly hermit, midway through his prayers
stopped suddenly, and raised his eyes to witness
the unbelievable: for there before him stood
the legendary creature, startling white, that
had approached, soundlessly, pleading with his eyes.

The legs, so delicately shaped, balanced a
body wrought of finest ivory. And as
he moved, his coat shone like reflected moonlight.
High on his forehead rose the magic horn, the sign
of his uniqueness: a tower held upright
by his alert, yet gentle, timid gait.

The mouth of softest tints of rose and grey, when
opened slightly, revealed his gleaming teeth,
whiter than snow. The nostrils quivered faintly:
he sought to quench his thirst, to rest and find repose.
His eyes looked far beyond the saint's enclosure,
reflecting vistas and events long vanished,
and closed the circle of this ancient mystic legend.

Rainer Maria Rilke, Tradução Albert Ernest Flemming

Sábado, Novembro 19, 2005

Mulheres | 12


Woman Holding a Balance, Jan Vermeer.

Sexta-feira, Novembro 18, 2005

Loução

Louçã não resistiu, foi mais forte do que ele!
Ainda o cadáver do sargento português, morto hoje no afeganistão, não arrefeceu e Louçã tem o mau gosto, como candidato presidencial, de começar o seu comentário com a sua veemente oposição à presença de soldados portugueses naqueles país.
Não há paciência para esta capitalização eleitoral populista-bloquista. A falsa moralidade de Louçã é agoniante.

1 ano !


Então foi há um ano que começamos esta viagem!
Alguns passos ainda são incertos, mas estamos a crescer!
Tomara que contemos muitos!

Quinta-feira, Novembro 17, 2005

A Foz | Ano # 1


"Os cinco sentidos com um relógio", Sébastien Stoskopff.

Quarta-feira, Novembro 16, 2005

Presidenciais | 3

Na segunda-feira não pude ver a entrevista de Cavaco Silva à TVI.

É verdade, como me dizem, que foi assim tão desprovida de conteúdo?

Porque não me surpreende?

Terça-feira, Novembro 15, 2005


"Homem com cão", Francis Bacon.

Segunda-feira, Novembro 14, 2005

Presidenciais (cartazes) | 2

Quando vejo os cartazes publicitários dos candidatos presidenciais, confesso, só em apetece estar do contra! É impossível não sentir desalento, decepção e tristeza com a inócua temática e discursiva das várias candidaturas.

Louça fala de "Olhos nos olhos" apelando à sua frontalidade e sinceridade; quanto a mim, nem quero olhar, o que vejo é a forma hipócrita e ziguezagueante como o BE brincou com a questão do aborto e como tentou capitalizar populisticamente o voto da co-inceneração em Coimbra, entre outras manobras desonestas.

Mário Soares só me fala em acreditar, em unir os portugueses; ora, o que os portugueses precisam é de divisão, de alguém que lhes mostre as diferenças entre os que pagam impostos e os que não pagam, entre os competentes e os incompetentes, entre os empreendedores e os bloqueadores, entre os invejosos e os capazes; em suma, que a diferença claramente exponha quem pode e quer melhorar o nosso país. Só desunindo é que poderemos um dia ter um país mais coeso e solidário.

Cavaco diz que Portugal precisa de nós, e que nós precisamos dele. Em 1995, ele é que precisava de sair para a presidência, agora tudo mudou. Não tenho dúvidas, o Sebastianismo ou vai acabar conosco ou nós acabamos com ele!

Quinta-feira, Novembro 10, 2005


"Raposas", Franz Marc.

Quarta-feira, Novembro 09, 2005

A "outra" Europa: a dos excluídos

Tava à espera que alguém postasse algo sobre os acontecimentos em França, mas como ninguém se manifestou, deixo aqui algumas considerações, mas já sabendo que corro o risco de fomentar a discórdia, pois sempre que aqui se fala de coisas sérias como política e futebol, o pau come, lol.
Nosso amigo Teófilo escreveu sobre o tema no http://www.blogoperatorio.blogspot.com/
Suas ponderações fizeram-me pensar sobre a crise do modelo de Estado de Bem Estar Social europeu que acabou por formar uma Europa cindida: a dos cidadãos europeus bem-de-vida e a dos imigrantes excluídos das benesses do "european way of life". Como bem disse o Teo, não basta permitir que caminhem no solo ou que trabalhem nas empresas. Enquanto que para a geraçao anterior a Europa foi a chance de uma vida melhor, para as gerações posteriores o que lhes foi negado foi justamente a possibilidade de integrar o mundo próspero do Estado europeu.
Não estarão esses jovens sem horizontes promissores, nem esperança no futuro, como foi dito no post? São marginais pq se encontram à margem do usufruto da riqueza. A Europa e seus imigrantes nos fazem refletir a respeito de uma questão + abrangente: nao será o caso de se pensar, como disse Caetano Veloso em Fora de Ordem, que:
Alguma coisa está fora da ordem
Fora da nova ordem mundial... ??

Segunda-feira, Novembro 07, 2005

este carnaval permanente...



Carnival, Max Beckmann.

Domingo, Novembro 06, 2005

Leituras

Afortunado dia para se ler, passear e meditar. Só Sol, sem vento.
Da leitura dos jornais destaco a crónica de Helena Matos, no Público de ontem. Fala-nos da Europa, do estado social e das nossas presidenciais. Enfatizado aparece: "Não sei se o destino de homens como Medina Carreira é serem as nossas Cassandras. Mas espero sinceramente que Mário Soares não fique para a História como o Sínon dos nossos tempos".

Sábado, Novembro 05, 2005

DOC | 20









Procession virgen de la soledad (Salamanca, 28 de Outubro de 2005), Pedro Matos Soares.

Sexta-feira, Novembro 04, 2005

Avenida Atlântica

Hoje faz 100 anos que a mais famosa avenida do Rio de Janeiro começou a ser construída. Copacabana era então um bairro distante do Centro e dos locais onde morava boa parte da gente “bem” da cidade.

Entre 1902 e 1906 o cenário carioca foi palco de grandes transformações urbanas na administração do prefeito Pereira Passos, comparáveis à reforma urbana acontecida em Paris, no século XIX, sob a direção de Hausmann, entre1863 e 1870.

A Cidade do Rio de Janeiro daquele início de século era um lugar acanhado, com uma área central de características coloniais, onde as sedes dos poderes políticos e econômicos misturavam-se a habitações insalubres, carroças e animais. Com o crescimento do país como principal produtor mundial de café, era necessário que a cidade se adaptasse aos novos tempos e que o espaço urbano passasse a expressar valores cosmopolitas e modernos.

Visando dar uma nova imagem à Cidade, Pereira Passos realizou uma verdadeira transformação no espaço urbano carioca. Saneou, estendeu, corrigiu e ampliou o arruamento, inaugurou o calçamento asfáltico, demoliu morros, criando novas avenidas e rasgando outras. Para sanear e higienizar a cidade, canalizou rios, arborizou diversas áreas e realizou obras de embelezamento em diversos locais estratégicos da cidade, criando praças e jardins, transformando o Rio de Janeiro numa cidade moderna, condizente com os valores das elites dirigentes da época. (Mas não sem oposição e revolta da população, como a já célebre Revolta da Vacina, verdadeiro motim popular contrário à imposição da vacinação obrigatória, episódio ocorrido em 1904).

Por sua vez, a Avenida Atlântica virou um símbolo da cidade. Sofreu sucessivos aterros ao longo do tempo para evitar as ressacas que a destruíram por diversas várias vezes. Teve um vigoroso impulso quando foi construído o Copacabana Palace, em 1923, prédio de arquitetura majestosa que enfeita a Avenida até hoje.

O desenho das pedras portuguesas, marca registrada do calçadão, foi refeito mais recentemente, inspirado no original. O paisagista Roberto Burle Marx refez, interpretando um desenho que já existia na Avenida Atlântica original e que foi trazido da Praça do Rossio, em Lisboa. “O que se diz é que essas ondas do Burle Marx são mais sensuais e mais bonitas que as de Portugal”, diz, em jeito de provocação, o historiador Carlos Kessel.

Quinta-feira, Novembro 03, 2005

Presidenciais (Quadratura do círculo) | 1

As presidenciais aproximam-se e, infelizmente, eu e mais uns tantos portugueses afastam-se. O trabalho jornalístico, até ao momento, tem sido desastrado, a tendência mediática para o inócuo é tão atractiva para a maioria dos jornalistas que, mais uma vez, o lado substantivo das eleições nem se vislumbra.

Ontem, no programa "A quadratura do cícrculo", onde muitas vezes se discute política com bastante profundidade, abordou-se e aprofundou-se o tema do momento - o profissionalismo político. O conteúdo dos recentes discursos de Cavaco e Soares nem foram abordados; a demagogia barata, a completa dominância do formato sobre a substância não teve tempo de antena.

Vamos para três eleições num ano; o que poderia ter sido uma oportunidade regeneradora da democracia e da discussão de ideias para o nosso país, está a acabar num flagrante falhanço - mais uma oportunidade perdida.

Quarta-feira, Novembro 02, 2005

Ninguém diz nada?

No words, no comments... Onde estão todos?


Morretes, PR, Brasil (30.07.05) AnaLúcia

Terça-feira, Novembro 01, 2005

DOC | 19


Convento de San Esteban, Salamanca (28 Outubro de 2005), Pedro Matos Soares.

Segunda-feira, Outubro 31, 2005

Enquanto isso, no patropi...

Bem, parece que aquela conversa do JJ a respeito de se ausentar da blogosfera era mesmo a sério... estou estupefata...
Por aqui, mais um novo escândalo envolve o governo: uma revista semanal publicou uma matéria a dizer que o PT recebeu dinheiro de Cuba, do camarada Fidel e do PC de lá. Já não nos faltava mais nada... Mas a revista publicou a matéria com base apenas em depoimentos e não em provas. Eu, por mim, não acredito, pois se eles não têm dinheiro nem para eles, iam mandar dinheiro para o PT? Mas, enfim, nunca se sabe, também achávamos improváveis todas as coisas que se foram revelando nos últimos tempos...
Dizia eu há alguns dias, a propósito do referendo, que o Brasil se tornou um exemplo de lisura em processos eleitorais em virtude do processo de votação eletrônica, contudo, certamente não tem sido exemplo de probidade na política, ainda mais quando se sabe que o ex-tesoureiro do PP, partido de sustentação da base do governo, um dos envolvidos no escândalo do mensalão, chama-se Jacinto Lamas… Nome mais apropriado não poderia haver... :)

Domingo, Outubro 30, 2005

Coincidência

Nesta manhã de domingo, neste lado do Atlântico, também há chuva.
(Agora apenas 2 horas nos separam. Estaremos mais próximos por causa disso?)
Deixo-vos na companhia de Ferreira Gullar:

No mundo há muitas armadilhas
(Do livro Dentro da noite veloz - poesias 1962-1975)

No mundo há muitas armadilhas
e o que é armadilha pode ser refúgio
e o que é refúgio pode ser armadilha

Tua janela por exemplo
aberta para o céu
e uma estrela a te dizer que o homem é nada
ou a manhã espumando na praia
a bater antes de Cabral, antes de Tróia
(há quatro séculos Tomás Bequimão
tomou a cidade, criou uma milícia popular
e depois foi traído, preso, enforcado)

No mundo há muitas armadilhas
e muitas bocas a te dizer
que a vida é pouca
que a vida é louca
e por que não a Bomba? te perguntam.
Por que não a Bomba para acabar com tudo, já
que a vida é louca?

Contudo, olhas o teu filho, o bichinho
que não sabe
que afoito se entranha à vida e quer
a vida
e busca o sol, a bola, fascinado vê
o avião e indaga e indaga

A vida é pouca
a vida é louca
mas não há senão ela.
E não te mataste, essa é a verdade.

Estás preso à vida como numa jaula.
Estamos todos presos
nesta jaula que Gagárim foi o primeiro a ver
de fora e nos dizer: é azul.
E já o sabíamos, tanto
que não te mataste e não vais
te matar
e aguentarás até o fim.

O certo é que nesta jaula há os que têm
e os que não têm
há os que têm tanto que sozinhos poderiam
alimentar a cidade
e os que não têm nem para o almoço de hoje

A estrela mente
o mar sofisma. De fato,
o homem está preso à vida e precisa viver
o homem tem fome
e precisa comer
o homem tem filhos
e precisa criá-los
Há muitas armadilhas no mundo e é preciso quebrá-las.

Sábado, Outubro 29, 2005

Na companhia de

Álvaro de Campos, fico a ler nesta manhã que anuncia chuva:

Eu cantarei,
Quando a manhã abrir as portas do meu esforço,
Eu cantarei,
Quando o alto-dia me fizer fechar os olhos,
Eu cantarei,
Quando o crepúsculo limar as arestas,
Eu cantarei a Tua Glória e o meu desígnio.
Eu cantarei
E nas estradas ladeadas por abetos,
Nas áleas dos jardins emaranhados,
Nas esquinas das ruas, nos pátios
Das casas-de-guarda,
A Tua Vitória entrará como um som de clarim
E o meu desígnio esperá-la-á sem segundo pensamento.

Álvaro de Campos in "Poesia", Assírio&Alvim

Quarta-feira, Outubro 26, 2005

Tsunami 1755 (Simulação) | 5

Estuário do Tejo




Elevação do nível do mar (metros)


Simulação realizada por Pedro Matos Soares (Centro de Geofísica da Universidade de Lisboa), Outubro de 2005.


A pouca profundidade do mar à entrada do estuário dimunui significativamente a velocidade e a amplitude do tsunami, chegando à zona de Belém só cerca de 49 minutos depois do sismo, com uma crista de menos de 2 metros. Após seis minutos, com uma elevação um pouco menor atinge a Praça do Comércio. A amplitude máxima no tsunami atenua-se mais ainda com a sua propagação no estuário do tejo, cerca de 80 minutos volvidos o tsunami tem menos de 1 metro e atinge a região de Alcochete.

Terça-feira, Outubro 25, 2005

Tsunami 1755 (Simulação) | 4

Penínsulas de Lisboa e Setúbal




Elevação do nível do mar (metros)

Simulação realizada por Pedro Matos Soares (Centro de Geofísica da Universidade de Lisboa), Outubro de 2005.

Em cima mostra-se a animação da propagação do tsunami na região das penínsulas de Lisboa de de Setúbal. O início desta animação é 19 minutos depois do sismo.
A zona do Cabo Raso é atingida por uma onda com mais de 5 metros de altura, 29 minutos depois do sismo. Passados dois minutos o mesmo acontece nas proximidades de Cascais e 7 minutos depois a zona da Parede é também atingida, mas por uma crista de 4 metros. Ao mesmo tempo a primeira onda chega ao Bugio com uma altura de quase 3 metros.

Tsunami 1755 (Simulação) | 3

A propagação do tsunami foi realizada utilizando o modelo SWAN (Mader, 1988), que utiliza a aproximação de águas pouco profundas não linear.
Na Figura subjacente podem observar-se as elevações do nível do mar, de minuto a minuto desde o sismo até 50 minutos depois.
O primeiro movimento da superfície oceância é muito acentuado, a crista máxima possuí mais de 18m de altura, enquanto a cava apresenta 3 m abaixo da superfície livre do oceano, na região próxima da fonte (sudoeste do Algarve).
O tsunami, 17 minutos depois do sismo, inunda a costa oeste do Algarve com uma crista de mais de 12 m. Após 25 minutos do sismo ondas de 6 metros atingem a costa oeste de Lisboa.

A velocidade de propagação do tsunami no oceano é muito elevada, próximo da fonte é de mais de 600 km/h. Com a diminuição da profundidade esta velocidade vai diminuindo. Por exemplo, à entrada do estuário do tejo baixa para 60 km/h e dentro do estuário é de aproximadamente 30 km/h.

Segunda-feira, Outubro 24, 2005

Tsunami de 1755 (Simulação) | 2

Portugal





Elevação do nível do mar (metros)



Simulação realizada por Pedro Soares (Centro de Geofísica da Universidade de Lisboa), Outubro de 2005.

Tsunami 1755 | 1

No Expresso desta semana, o suplemento ACTUAL dedica boa parte da edição ao grande sismo de 1755 que brutalmente atingiu Portugal. Esta edição especial é motivada pela efeméride dos 250 anos do sismo e do tsunami de 1 de Novembro, e merece uma atenta leitura pelo tratamento cuidado e interdisciplinar que apresenta.

Todo o território português foi fortemente abalado pelo sismo de 8.75 de magnitude, um enorme tsunami formou-se que, pensa-se, possuía mais de 18 metros de crista máxima no movimento inicial da superfície oceânica.

Para os leitores d’ A Foz aqui fica uma visão, um pouco privilegiada, dos resultados da simulação matemática que realizei e que aparece no referido suplemento. Em cima, pode observar-se a propagação do tsunami que assolou toda a costa portuguesa, mas com especial intensidade a metade Sul.

as armas ganharam

Como se sabe, o esperado aconteceu, o Não ganhou. Os brasileiros votaram contra a proibição do comércio de armas.

É triste, mas compreensível. Parece-me que não foi o momento adequado para tal plebiscito. Infelizmente, com justificação, os brasileiros não acreditam que o governo possa imprimir mais segurança à sociedade. A porbreza é tanta, a corrupção nas polícias é tão generalizada e a sociedade tão violenta que o caminho que separa os brasileiros do SIM é imenso.

Domingo, Outubro 23, 2005

Mulheres | 11


O Amor, Jan Saudek.